Chico Buarque uma vez escreveu na música ‘Almanaque’: “Me diz pra onde vai o meu amor, quando o amor acaba...” O cara sempre foi um gênio pra falar do amor.
Acho que passamos por vários momentos quando o amor acaba. Principalmente se você investiu muito na relação.
Primeiro é normal o sentimento de fracasso, mágoa, raiva, medo, solidão...
Mas acho que o amor se transforma noutra coisa quando ele acaba, às vezes vira uma amizade quando o fim se dá naturalmente, noutras vezes fica um buraco, como se realmente ficasse ‘Faltando um Pedaço’.
Você sente vontade de meter algo no lugar, nem que seja chocolate ou sexo. Mais com o tempo, depois que a gente sai da febre – os gregos diziam que a flecha do cupido gerava quase uma maldição, uma espécie de veneno injetado no sangue, que tornava os amantes cegos. Um feitiço tão forte e fatal que era impossível resistir.
Bem, quando a gente sai da febre, depois que mata e depura o amor, fica apenas uma lembrança... acho... “Quem vai pagar as contas desse amor pagão, te dar a mão e me trazer a tona para respirar? Quem vai chamar teu nome ou te escutar?”. Também uma leve saudade, como canta Os Paralamas.
O que é o amor?
Acho que os escritores românticos já falaram muito sobre o tema e não deve ter sobrado muito coisa original para dizer sobre o assunto. Mas uma coisa é certa, quando o amor acaba as pessoas normalmente se sentem desoladas. Às vezes até destruídas. A gente tende a acreditar que a outra pessoa é uma parte de nós, estamos tão acostumados com a rotina a dois que chega ser impossível acreditar que vai ser possível continuar sozinho ou até que vamos encontrar outra pessoa. Parece que o amor é único, intransferível. Impossível de acontecer duas vezes.
Vá por mim, não é impossível. Acontece. Mais de duas vezes até. Várias pessoas no mundo experimentam o amor com mais de uma pessoa. Outras, talvez, sejam mais românticas e prefiram se aferrar a crença que só existe um amor na vida. Isso é só uma crença. Ela só será real enquanto você continuar pensando assim.
Tenho um amigo que diz que a melhor forma de esquecer alguém é colocando outra pessoa no lugar. O cara casou umas quatro vezes e sempre tinha a mesma intensidade. Comigo essa técnica não dava certo. Eu tinha que curtir o fim até terminar realmente. “Se tudo tem que terminar assim, que pelo menos seja até o fim, pra gente nunca mais ter que terminar.”
Mas “Há uma luz no túnel dos desesperados.(...)". Alguns, quando ainda têm o amor pulsando dentro do coração, mas não podem mais exprimi-lo da mesma forma, resolvem enterrá-lo vivo. Parece duro, não?! Mas gosto dessa imagem. Não de enterrar alguma coisa viva, mas de enterrar algo precioso e imaginar que é como uma semente que via morrer para dali nascer algo novo. Uma árvore, uma flor. Imaginar que algo bom pode brotar desse fim.
O fim lembra mesmo a morte. No fim e a gente tem todo direito de chorar e se sentir meio traído, sentir falta. É natural. Você não diz para alguém que acabou de perder e enterrar alguém para ela parar de chorar e esquecer. A gente entende que a pessoa precisa de tempo.
Sempre achei que pior do que amar e ver a relação acabar é nunca ter amado. Pobres daqueles que nunca ficaram cegos de paixão. Daquelas paixões que basta um toque para o corpo se incendiar, que a cabeça não consegue se concentrar direito de tanto que martela o desejo do reencontro e as fantasias do que dirá, fará. Os beijos e amassos. O coração batendo forte. O dia se ilumina quando a gente vê a pessoa.
Pode ser uma febre, uma cegueira, mas quando se vive a gente não quer outra coisa. A pessoa amada parece um sol capaz de fazer desaparecer qualquer dia ruim, nuvem negra ou tristeza. É alegria pura. “Olhos fechados, pra te encontrar. Não estou ao seu lado, mas posso sonhar. Aonde quer que eu vá, levo você no olhar. Aonde quer que eu vá, aonde quer que eu vá...”
Quando acaba a gente fica um pouco como zumbi, meio sonâmbulo. “Não sei bem certo se é só ilusão. Se é você já perto, se é intuição. Aonde quer que eu vá, levo você no olhar. Aonde quer que eu vá, aonde quer que eu vá. Longe daqui, longe de tudo, meus sonhos vão te buscar. Volta para mim, vem pro meu mundo. Eu sempre vou te esperar...” Ah, o romantismo... É uma ilusão gostosa enquanto se vive. Depois a gente se acha babaca. Doce demais, desnecessário.
Sinceramente, não sei qual é a melhor opção quando o amor acaba, se é melhor colocar outra pessoa no lugar, ou enterrar. Prefiro a segunda opção, mas acho que as pessoas que conseguem fazer do outro jeito também não estão erradas. São apenas formas diferentes de lidar com as questões do coração.
Mas vale a pena lembrar aos que acham que é o fim do mundo e nada mais vai ser como antes: Vai passar. Tudo passa, até essa sensação. E se você conseguir se abrir, logo logo estará sentido o coração bater novamente. E se prepare para a próxima montanha russa. É amor novamente...
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
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